Protagonista da Reparação: A responsabilidade de representar os anseios da comunidade atingida 

foto: Cleiton Santos / Aedas

Miguelito Teixeira é produtor rural e mora em Conselheiro Pena (MG), às margens do Rio Doce. Ele vive da produção de leite e derivados em uma propriedade que pertence à sua família há mais de 50 anos. Ao relembrar a chegada da lama tóxica, em novembro de 2015, conta que, naquele momento, as pessoas não tinham dimensão do estrago que estava por vir. Um dos episódios mais marcantes, segundo ele, foi ver a grande diversidade de peixes — de diferentes tamanhos e espécies, muitas das quais ele sequer conhecia — morrendo no rio. 

No ano seguinte, em 2016, a situação se agravou com a chegada das chuvas. A enchente espalhou a lama por toda a calha do Rio Doce e invadiu sua propriedade, comprometendo diretamente a produção e o modo de vida da família.  

Sem água e sem pasto, elementos essenciais para sua subsistência, Miguelito precisou enfrentar o desafio de reconstruir a própria vida e, ao mesmo tempo, fortalecer a conscientização da comunidade sobre a importância da luta coletiva e da organização social na defesa dos direitos das pessoas atingidas. 

A partir da organização e da luta coletiva, a comunidade conseguiu mobilizar diferentes instâncias para reivindicar direitos. Um deles, ele relembra, a garantia das Assessorias Técnicas Independentes, que seguem auxiliando a comunidade na conquista e na defesa de direitos ao longo do processo de reparação. “a necessidade de estar articulando e organizando é constante”, destaca. 

Atualmente, ele é membro titular do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Norte Capixaba, representando os territórios de Conselheiro Pena, Resplendor e Itueta. Miguelito reforça que a força da organização coletiva está no trabalho de base, construído no cotidiano. “É na conversa com um vizinho, com as pessoas da comissão, da associação. É estando envolvido com a comunidade e motivando as pessoas a participarem da luta por reparação”, afirma.

foto: Glenda Uchoa / Aedas

Para ele, a luta segue viva, já que os problemas ainda não foram resolvidos e há muito a ser conquistado. Miguelito defende que cada vez mais pessoas busquem compreender e participar do processo reparatório, entendendo onde estão os recursos e como os atingidos podem garantir direitos fundamentais, como acesso à água de qualidade, segurança alimentar e saúde. Seu maior sonho é que filhos e netos possam, no futuro, usufruir do Rio Doce com qualidade de vida, sem precisar abandonar seus territórios. 

Texto: Camila Quintana – Equipe de Comunicação do Médio Rio Doce