Projetos Estruturantes: Chamada pública destina R$ 225 milhões para fortalecer organizações sociais e empreendimentos coletivos na bacia do Rio Doce

Iniciativa apoiará projetos voltados ao fortalecimento institucional de organizações e ao desenvolvimento de cadeias produtivas nos territórios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão

Cooperativas, associações e organizações sociais dos territórios atingidos poderão apresentar propostas para fortalecer cadeias produtivas, ampliar a comercialização e impulsionar o desenvolvimento territorial com recursos do Fundo de Participação Social da Bacia do Rio Doce Foto: Acervo Aedas

Organizações da sociedade civil que atuam nos territórios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão já podem apresentar propostas para a chamada pública Rio Doce Participativo – Projetos Estruturantes para o Desenvolvimento Territorial. A iniciativa integra as ações previstas no Acordo Rio Doce e foi discutida e aprovada pelo Conselho Federal de Participação Social das Pessoas Atingidas da Bacia do Rio Doce e do Litoral Norte Capixaba.  

Conduzida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Secretaria-Geral da Presidência da República, a chamada destina R$ 225 milhões para apoiar projetos voltados ao fortalecimento de organizações sociais e ao desenvolvimento de empreendimentos coletivos em Minas Gerais e no Espírito Santo. 

A chamada busca apoiar iniciativas capazes de fortalecer a organização social nos territórios atingidos, ampliar a capacidade de gestão das entidades e impulsionar cadeias produtivas locais, contribuindo para o desenvolvimento territorial e para a reparação dos danos socioeconômicos causados pelo desastre-crime de responsabilidade das mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton. 

Eixos previstos na chamada 

As propostas poderão contemplar um ou os dois eixos previstos na chamada. 

O Eixo I é voltado ao fortalecimento institucional de organizações sociais, com apoio a ações de planejamento, gestão, governança, comunicação, transparência, captação de recursos, capacitação, mentoria e desenvolvimento institucional. Também poderão ser apoiadas iniciativas voltadas às atividades finalísticas dessas organizações junto às comunidades atingidas, em áreas como economia popular e solidária, reabilitação territorial, direitos humanos, segurança alimentar, comunicação popular, fortalecimento cultural e proteção dos povos indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais. 

Já o Eixo II destina recursos para a estruturação de empreendimentos produtivos e de serviços, rurais ou urbanos, apoiando cooperativas, associações e redes de produção. Entre as ações previstas estão investimentos em infraestrutura, beneficiamento, armazenagem, logística, aquisição de equipamentos, adequação tecnológica, melhoria dos processos produtivos, fortalecimento da gestão e ampliação dos canais de comercialização. 

Quem pode participar 

As propostas devem ser apresentadas por entidades executoras responsáveis pela implantação e coordenação dos projetos. 

Podem participar entidades privadas sem fins lucrativos e instituições de ensino superior, por meio de suas fundações de apoio, sediadas em Minas Gerais ou no Espírito Santo. Para atuar no Eixo I, é necessário estar legalmente constituída há pelo menos dois anos. Já para o Eixo II, ou para propostas que contemplem ambos os eixos, a instituição deve possuir, no mínimo, cinco anos de constituição. 

Além disso, as entidades precisam comprovar experiência na execução de projetos relacionados ao desenvolvimento territorial ou à defesa dos direitos das pessoas atingidas, demonstrando capacidade técnica, administrativa e financeira para executar as ações propostas. 

As Assessorias Técnicas Independentes (ATIs) contratadas no âmbito do Anexo 6 do Acordo do Rio Doce não podem apresentar propostas, embora possam apoiar pessoas atingidas e organizações sociais na elaboração e no acompanhamento dos projetos. 

Recursos e valores 

A chamada dispõe de orçamento total de R$ 225 milhões, provenientes do Fundo de Participação Social da Bacia do Rio Doce. Desse montante, 5% serão destinados exclusivamente a projetos voltados a povos indígenas, quilombolas e demais povos e comunidades tradicionais, enquanto outros 5% serão reservados para iniciativas desenvolvidas em áreas consideradas prioritárias pelo Conselho Federal de Participação Social das pessoas atingidas da Bacia do Rio Doce e do Litoral Norte Capixaba. 

Os valores das propostas variam conforme o eixo escolhido. 

No Eixo I, cada proposta poderá solicitar entre R$ 5 milhões e R$ 10 milhões, sendo permitido destinar até R$ 1 milhão para cada organização apoiada. 

No Eixo II, as propostas poderão variar entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões, com limite de R$ 1,5 milhão para cada empreendimento coletivo beneficiado. 

Projetos que contemplem simultaneamente os dois eixos poderão solicitar entre R$ 10 milhões e R$ 23 milhões. Em todos os casos, o Fundo de Participação Social financiará integralmente os projetos aprovados. 

Inscrições 

As propostas podem ser apresentadas até 30 de dezembro de 2026 e serão analisadas em fluxo contínuo pelo BNDES. 

O envio deve ser realizado exclusivamente pelo Portal do Cliente do BNDES. Para participar, a entidade deverá fazer cadastro na plataforma, baixar o roteiro de apresentação do projeto em formato Word e protocolar toda a documentação exigida. No portal, a chamada pode ser localizada na opção “Fundos, Editais, Chamadas Públicas e Mercado de Capitais”, com o nome “Rio Doce Participativo 2026 – Projetos Estruturantes para o Desenvolvimento Territorial”. 

Para auxiliar as organizações na elaboração das propostas, o BNDES disponibiliza a gravação da 1ª Oficina Virtual sobre a Chamada Rio Doce Participativo, além dos modelos dos documentos necessários, como o roteiro do projeto, quadro de usos e fontes, declaração da instituição parceira, ata de anuência das comunidades atingidas e declaração sobre a situação da proponente. Os arquivos podem ser consultados no portal do BNDES, mas o envio oficial das propostas somente será aceito por meio do Portal do Cliente. 

Em caso de dúvidas ou necessidade de informações adicionais, o atendimento é realizado pelo e-mail riodoceparticipativo@bndes.gov.br

Texto: Thiago Matos – Assessor de Comunicação da ATI Aedas Médio Rio Doce