9# Edição Jornal Territórios | Quando as comunidades se movimentam a reparação se movimenta

Nesta edição, você vai conferir como a participação popular segue fortalecendo a luta por reparação integral no Médio Rio Doce. Com o protagonismo das pessoas atingidas, são dados importantes passos na construção de projetos comunitários, na defesa de direitos e na ocupação de espaços de decisão política.

A protagonista da reparação desta edição é Waldecir Pereira, mulher atingida de Resplendor que transformou a luta coletiva em instrumento de defesa dos direitos. (Pág.04)

Especial: veja como os Ciclos Territoriais da Aedas vêm fortalecendo a organização comunitária e impulsionando propostas de retomada econômica nos territórios atingidos. (Págs. 5, 6 e 7)

O jornal também traz informações sobre os avanços da reparação, como a inauguração do novo escritório do Programa de Saúde do Rio Doce em Governador Valadares. (Pág8)

Os debates sobre a regulamentação da Política Nacional de Direitos das Populações Atingidas por Barragens (PNAB). (Pág.9)

Os projetos do Programa de Retomada Econômica apresentados pelo Governo Federal e o trabalho de fortalecimento das associações comunitárias nos territórios assessorados pela Aedas. (Pág.10 e 11)

Leia o editorial e acesse a versão digital do jornal abaixo.Espaços ocupados com representatividade

Este jornal que chega às suas mãos mostra como os ciclos territoriais estão mobilizando as comunidades atingidas assessoradas pela Aedas no Médio Rio Doce. Com os novos planos de trabalho em execução, o acompanhamento das comunidades é continuado, mas também adaptado para responder às demandas e necessidades que este momento apresenta às pessoas atingidas.  

Neste momento da reparação, vale a pergunta: quantas pessoas você conhece que estão, na prática, construindo caminhos de acesso aos seus direitos? Existe uma resposta concreta, pautada no real, que é: pessoas estão construindo caminhos por toda parte.  

Enquanto alguns se dedicam às comissões territoriais e/ou municipais de atingidos e atingidas, outros fortalecem grupos de base dos movimentos sociais organizados e grupos de atingidos e atingidas de seu +bairro, da rua ou da comunidade.  

Há também quem esteja ocupando e disputando espaços institucionais, como os conselhos municipais de saúde e assistência social, além de instâncias nacionais, como o conselho federal das mulheres. Além disso, de forma inédita no processo de reparação, temos, atualmente, Conselheiras e Conselheiros Federais compondo a mais importante instância de decisão e disputa de ações, por meio do Anexo 6, através do Conselho Federal de Participação Social da Bacia do Rio Doce e Litoral Capixaba. 

É um movimento amplo, diverso e profundamente comprometido, que não vem de agora, mas se intensifica com a oportunidade histórica que o Novo Acordo Rio Doce solidificou nas comunidades.  

Com o apoio das assessorias técnicas independentes e cada vez mais conscientes de seus direitos, as pessoas atingidas têm conseguido atravessar barreiras históricas de exclusão e falta de acesso.  

Mais do que isso: seguem doando tempo, energia e parte de suas próprias vidas a uma construção coletiva que não beneficia apenas indivíduos, mas fortalece toda uma comunidade. 

Neste sentido, o ciclo territorial se apresenta como uma metodologia capaz de encontrar as pessoas atingidas em suas comunidades, para identificar suas propostas, seus anseios, auxiliando-os no acesso a espaços de participação e governança popular. É nesse momento que a assessoria se faz presente construindo a diversidade dos caminhos pelas comunidades já percorridos, para fortalecer a reparação popular integral. 

Porque, quando as comunidades se movimentam, a reparação também se movimenta. Sai do papel, ganha forma e começa, de fato, a acontecer.