Informe Barragem: Como está a situação da Barragem Serra Azul?

A segurança e o futuro da barragem de rejeitos da Mina de Serra Azul, em Itatiaiuçu, continuam sendo temas centrais para as comunidades atingidas. Com base nos relatórios técnicos da Geoestável de setembro de 2025 a maio de 2026, detalhamos abaixo o cenário atual da estrutura e o andamento da sua descaracterização. 

Figura 1: imagens aéreas da barragem em abril de 2026. 


Fonte: Arcelor Mittal, 2026. 

1. Comportamento após o período de chuvas 

O período chuvoso de 2026 apresentou poucas mudanças no comportamento da estrutura em comparação aos anos anteriores. Foram registradas leituras dos piezômetros (aparelhos que medem o nível e a pressão da água no solo), dentro da média esperada para o período ou ligeiramente maiores do que o registrado em anos anteriores. Com a chegada do período seco, que se estende de abril a outubro, a tendência esperada é de redução e estabilização desses níveis.  

2. Cronograma de descaracterização 

O cronograma de descaracterização atualizado, prevê que todo o processo de descaracterização seja concluído até dezembro de 2032.  

3. Volume de rejeitos e início dos trabalhos 

Os trabalhos de remoção foram iniciados em agosto de 2025 e até maio de 2026 já foram removidos 529.000 m3 (metros cúbicos de rejeito) o que corresponde a cerca de 11% do total da barragem. Este processo possuí 7 fases, cada fase consiste em uma camada de cerca de 10 metros de altura, com subetapas de 2,5 metros. Atualmente o cronograma se encontra na Subetapa 4 da primeira Fase. 

Figura 1: fases de descaracterização da barragem de Serra Azul, da Arcelor Mittal. 

Fonte: Arcelor Mittal, 2026. 

 O projeto estabelece a remoção total de todos os materiais que compõem a barragem, o que inclui o solo dos diques de partida, todo o rejeito acumulado, a proteção das encostas e o reflorestamento da área. 

A velocidade da remoção dos rejeitos não é determinada pela produção desejada, mas sim por critérios técnicos, como um limite para o volume diário de remoção, visando garantir que a estabilidade da estrutura não seja comprometida durante o processo.  

4. Destinação e reaproveitamento do material 

O plano para o rejeito removido é o reaproveitamento econômico, como a barragem começou a operar na década de 80, as tecnologias da época eram menos eficientes. Assim, o rejeito ainda possui alto teor de minério de ferro e será enviado para a planta de beneficiamento. Haverá uma área de empilhamento temporário próxima à ombreira esquerda da barragem para organizar o material antes do transporte final. A mineradora deve realizar a remoção total, independentemente de o material ser reprocessado, realocado e ter ou não aproveitamento econômico.  

5. Estabilidade e Monitoramento Contínuo 

Apesar dos avanços com a conclusão da ECJ, a barragem de Serra Azul ainda permanece em Nível 3 de Emergência. Isso significa que sua condição de segurança ainda é considerada muito baixa, mantendo o risco de rompimento.  

Por essa razão, as seguintes medidas permanecem rigorosas: 

  • Monitoramento 24h: A estrutura possuí um centro de monitoramento geotécnico (CMG) que monitora a barragem sete dias por semana por meio de câmeras, radares, geofones (que captam vibrações) e pluviômetros que medem os níveis de água.  

Figura 2: Centro de Monitoramento Geotécnico 


Fonte: Arcelor Mittal, 2026. 

  • Manutenção Controlada: Qualquer atividade na estrutura só é realizada com planejamento rigoroso para garantir que não haja risco de vida ou danos ambientais.  
  • Zonas de Autossalvamento (ZAS): As áreas de risco continuam totalmente desocupadas. 

Dúvidas? A população pode entrar em contato com a Assessoria Técnica Independente da Aedas pelos números (31) 99939-8785 ou (31) 99899-2447. 

Texto: Lukas Almeida – Equipe Técnica Interdisciplinar