Atingidos cobram pela participação horizontal no processo de reparação dos danos causados pelo rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão, que completa 4 anos no dia 25 de janeiro de 2023. As principais pautas giram em torno do atendimento na saúde especializada integral e cobrança por água de qualidade.

Caminhada até a beira do rio Paraopeba | Foto: Felipe Cunha

Dentro da programação de atividades dos 4 anos do rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, a Aedas acompanhou na manhã de ontem (23), o Ato “Pelos Rios, Pelas Águas e Pela Vida!”, realizado pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), em São Joaquim de Bicas, município da região 2 da Bacia do Paraopeba.

O ato ocorreu na beira do Rio Paraopeba, na comunidade Fhemig, e os atingidos presentes cobraram por ações emergenciais de reparação socioambiental e das consequências que vieram à tona com as enchentes.

A comunidade sofre pelo comprometimento da qualidade do rio, do solo e das águas, que têm causado insegurança hídrica e alimentar para as famílias atingidas.

A representante da Defensoria Pública de Minas Gerais, Carolina Morishita e o bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, Dom Vicente, receberam pautas voltadas para a saúde integral e água de qualidade. A defensora reforçou seu compromisso com as demandas da população atingida e que o compromisso pela reparação dos danos continua constante.

Lindaura Prates, moradora do bairro Fhemig, reforça a importância da união popular para reivindicar os direitos. “4 anos do desastre-crime e não temos retorno suficiente para nossa vida com dignidade. Estamos reunindo, clamando por justiça, água limpa, pelos terrenos que tem rejeito, que nós plantávamos e não podemos plantar mais”.

Lindaura Prates, moradora do bairro Fhemig, São Joaquim de Bicas | Vídeo: Felipe Cunha

Cirleni Dias não dorme com medo de que as chuvas possam invadir seu terreno novamente. “Estamos no recomeço, comprando de pouco a pouco [o que perderam com as chuvas de janeiro de 2022]. Não tivemos ajuda da Vale para comprar os materiais e coisas para a nossa casa. Pedimos indenização justa para sairmos das margens do rio, estamos vivendo nesse lugar sob pressão psicológica e doentes. Aqui no Fhemig constou metal pesado nos exames do pessoal, e como sempre, a Vale nunca sabe de nada”.

Erlei Leal, morador da comunidade Fhemig, teve sua casa atingida pelas enchentes de janeiro de 2022 | Vídeo: Felipe Cunha

“O crime da Vale é uma coisa terrível, isso trouxe muitos danos a saúde integral, depressão, feridas no corpo devido a esses minérios que estão nas águas, outros tiveram danos materiais, teve uma queda da renda, porque antes do rompimento, plantavam, vendiam as verduras, as mandiocas, hoje não faz isso mais por causa do solo comprometido.”, relatou Erlei Leal, morador da comunidade que teve sua casa atingida pelas enchentes de janeiro de 2022.

Erlei também reforça a importância da união popular e da luta pelos direitos. “Vamos trilhar esses caminhos de luta. Sabemos que tivemos um Acordo entre o Estado e a Vale a portas fechadas, eu acho injusto, os atingidos estão sendo prejudicados devido a isso, os 4 bilhões do Programa de Transferência de Renda vêm para os atingidos, mas o restante do valor do Acordo parece que ficou para o Estado”.

As mobilizadoras da Aedas que acompanham as famílias de São Joaquim de Bicas participaram do ato e relataram que ainda há demandas emergenciais nas comunidades de Bicas e que não foram atendidas por negligência da Vale. “Esse ato é importante para pautar não só dentro da sociedade como um todo, mas chamar atenção da poluidora-pagadora”, afirma Ana Cotta, técnica da ATI.

programação em memória e luta por justiça nos 4 anos do rompimento continua esta semana. Confira a programação:

24 de janeiro – terça-feira 

8h – 17h – Seminário Cidades Impactadas pela Mineração (Faculdade Asa), realização da Avabrum 

17h – Carreata por Justiça (Concentração Cemitério Parque das Rosas) , realização da Avabrum 

25 de janeiro – quarta-feira 

IV Romaria pela Ecologia integral em Brumadinho   

7h – Acolhida (Matriz de São Sebastião)  

8h – Coletiva de Imprensa e abertura do stand do projeto Juntos por Brumadinho 

9h – Missa   

10h30 – Caminhada (da Matriz até o Letreiro)  

12 – Ato por justiça, encontro e memória (Letreiro de Brumadinho)  

Atos em Belo Horizonte   

9h – Ato Indenização Justa Já! (Tribunal de Justiça – Raja Gabaglia, Belo Horizonte).  
  
14h – Ato pela reparação integral dos crimes das Bacias do Rio Doce e Paraopeba  

ALMG – Belo Horizonte