
Vem aí o tempo da colheita! E a Aedas estará sempre ao lado das pessoas atingidas!
Chegamos à 10ª Edição do Jornal Territórios, o Jornal do Médio Rio Doce! Nesta edição, você vai conferir:
🟦 A reconstrução da esperança é uma tarefa (editorial)
🟦 Protagonista da Reparação (Pág.03)
🟦 Boletim da Reparação (Pág.04)
🟦 Fala, Comissão! (Pág.05)
🟦 Estratégias Coletivas impulsionam a reparação nas comunidades atingidas na Bacia do Rio Doce (Pág.07)
🟦 Comunidades atingidas videm reta final para transformar reivindicações em projetos concretos de reparação (Pág. 10)
🟦 Estação Rio Doce completa 50 edições com programa especial (Pág.11)
🟦 Pela reparação no Médio Rio Doce, a Ciranda entra em campo! (Pág.13)
🟦 Conquista: Quilombo Córrego do 14 recebe certificação da Fundação Cultural Palmares (Pág.15)
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Há momentos que nós participamos dos acontecimentos históricos e há outros, bem mais raros, que nós ajudamos a construir a história e seus caminhos. Este é um desses momentos: estamos construindo um processo profundo, que muda paradigmas, que transforma realidades e que aponta para caminhos que nunca pisamos antes e que são muito melhores! Estamos escrevendo um novo capítulo da reparação dos danos coletivos causados pelo rompimento da barragem de Fundão na bacia do Rio Doce e estamos desenhando caminhos que outros processos de reparação podem seguir.
O Edital Rio Doce Participativo e Comunitário é a materialização de algo que histórica mente foi muito limitado nos processos de reparação: o protagonismo real das comunidades atingidas. Estamos falando de um contexto em que, pela primeira vez num acordo dessa magnitude, foi criado um Fundo de Participação Social de grande escala, com recursos destinados diretamente a projetos definidos pelos próprios atingidos. Isso, por si só, já é um marco histórico — porque rompe com uma lógica antiga, em que as decisões ficavam concentradas nas empresas causadoras dos danos ou no Estado da Federação onde o desastre-crime ocorreu.
Mas, o mais importante, é que o edital tira essa ideia do papel e transforma em ação concreta. Ele abre a possibilidade para que as comunidades apresentem seus próprios projetos, a partir das suas realidades. E, principalmente, executem esses projetos a partir de suas próprias associações, cooperativas e organizações sociais dos territórios.
Ou seja, não é mais alguém de fora dizendo o que precisa ser feito e conduzindo projetos de reparação que não dialogam com as realidades locais: são as próprias comunidades que passam a definir suas prioridades, seus caminhos e suas estratégias de reconstrução.
E para a concretização desse sonho, devemos ressaltar dois elementos essenciais: o primeiro é a participação ativa do povo atingido num espaço de governança aberto ao diálogo, paritário e com poder de decisão, o Conselho Federal de Participação Social, no qual atingidas e atingidos conseguem debater exaustivamente as possibilidades de caminhos para reparação dos danos em toda a bacia e conseguiram determinar os limites e as abrangências para o edital de projetos comunitários.
A reparação integral envolve reconstruir os modos de vida, o incentivo a autonomia e auto-organização do povo e a reconstrução do tecido social que foi profundamente atingido pelo desastre-crime. E para a concretização desse sonho, devemos ressaltar dois elementos essenciais: o primeiro é a participação ativa do povo atingido num espaço de governança aberto ao diálogo, paritário e com poder de decisão, o Conselho Federal de Participação Social, no qual atingidas e atingidos conseguem debater exaustivamente as possibilidades de caminhos para reparação dos danos em toda a bacia e conseguiram determinar os
limites e as abrangências para o edital de projetos comunitários.
O segundo elemento também tem um caráter inédito: a forma de atuação da Assessoria Técnica Independente (ATI) e, mais especificamente, a forma como a Aedas decidiu trabalhar nesse processo.
Se, por um lado, papel da ATI é justamente garantir que a participação dos atingidos e das atingidas seja qualificada — ajudando na elaboração dos projetos, no acesso à informação e no fortalecimento da capacidade de decisão dos atingidos; por outro, a Aedas tomou uma decisão estratégica de construir uma me
todologia que apoia as comunidades atingidas na compreensão não só dos danos que sofreram, mas que dá espaços aos sonhos e ao que é preciso fazer para materializá-los e assim, transformar a realidade de seus territórios.
Nossa tarefa era reconstruir a esperança em comunidades atingidas que há 10 anos vêm lutando por melhorias na qualidade de vida de seus moradores e que essas comunidades retomassem a percepção de que algo inovador em seus territórios ainda era possível, e além de ser possível, construído pelas suas próprias mãos e executado por pessoas, em sua grande maioria, que dali nasceram e cresceram.
Por isso, nós nos reinventa mos internamente e construímos em conjunto aos Agentes Multiplicadores um processo longo e complexo de formulação, escrita, qualificação, priorização e submissão de projetos comunitários. Foi um processo profundo de estudar a terra, preparar ela, organizar a irrigação com
água limpa, fazer mutirão para abrir as covas e, enfim, conseguir compartilhar e plantar as sementes.
Cada projeto comunitário que ajudamos as comunidades atingidas a escreverem e submeterem é uma semente dessa nova forma do processo de reparação e uma semente da esperança por uma vida melhor,
no território ao qual pertencem.
Vem aí o tempo da colheita! E a Aedas estará sempre ao lado das pessoas atingidas!
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