Confira os principais pontos da reunião da auditoria socioambiental

No dia 18 de dezembro de 2025 foi realizada a reunião da Aecom, empresa responsável pela auditoria independente dos estudos socioambientais na Bacia do Rio Paraopeba. Mensalmente, a Aecom, através de uma reunião virtual, apresenta para os órgãos estaduais responsáveis pela reparação e os compromitentes os resultados das atividades alcançadas no mês anterior decorrido e a atualização quanto ao cumprimento ou não dos cronogramas dos projetos e ações. Devido à desmobilização da Aedas como Assessoria Técnica Independente das Regiões 1 e 2, este será o último relatório das reuniões com a Aecom a ser elaborado pela Aedas.
As Assessorias Técnicas Independentes (ATI’s) participam dessa reunião exclusivamente como ouvintes, e não há espaço para falas, dúvidas e/ou intervenções. Nota-se que não houve intervenções nem abertura para discussões ou dúvidas dos participantes. Esta matéria traz um resumo dos principais pontos, referentes às Regiões 1 e 2, abordados na reunião:
Estudos de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico (ERSHRE)
A auditoria apresentou a retrospectiva das atividades do Estudo de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico em 2025. Em junho, foi organizada uma devolutiva para a Aldeia Kamakã Mongoió. Em junho, a nova empresa responsável pelo Estudo (ERM) assinou contrato, com a organização de cronograma, que foi aprovado pelos Compromitentes em dezembro. Em setembro, encerrou-se o contrato com o Grupo EPA, que vinha apresentando desde o início do ano os relatórios da Fase 1.
Em relação à finalização da Fase 1 do Estudo de Risco, relatórios importantes ainda não foram entregues em sua versão revisada, o que representa atraso já verificado em outras reuniões. A previsão é que os projetos revisados de Saúde, Meio Ambiente e Risco Ecológico sejam concluídos e aprovados pelos órgãos do estado até março de 2026. Os relatórios da Fase 1 de Brumadinho devem finalizar até agosto de 2026, e os do restante da bacia, até maio de 2027. As devolutivas devem ocorrer em Brumadinho até dezembro de 2026, quando deve iniciar a Fase 2. As devolutivas do restante da bacia devem ocorrer até setembro de 2027. Considera-se que esse cronograma apresenta um grande desafio para seu cumprimento, o que pode levar a atrasos significativos para sua conclusão, levando em consideração a mudança da empresa executora do Estudo de Risco e a demanda da auditoria e de órgãos estaduais por revisões e adequações.
A Fase 2 deve ser concluída até julho de 2028. As coletas em Brumadinho devem ocorrer até outubro de 2027.
A Fase 3, onde se calcula o risco, deve estar concluída até julho de 2028 em Brumadinho, e até abril de 2029 nas demais áreas. Assim, a avaliação de risco tem perspectiva de ser concluída entre julho de 2028 e abril 2029. Caso riscos sejam detectados na avaliação de risco, planos para mitigação e a avaliação de intervenção devem ser elaborados até agosto de 2030. As devolutivas sobre a existência de riscos relacionados tanto à saúde quanto ao meio ambiente também devem estar concluídas para todas as comunidades até agosto de 2030. Em Brumadinho, essas devolutivas sobre risco e planos de intervenção devem ser concluídas antes, até janeiro de 2030.
Esse foi o cronograma validado, mas se destaca que há a demanda dos Compromitentes para que os prazos sejam diminuídos e o estudo seja mais eficiente.
TAC – Segurança das estruturas remanescentes, contenção e recuperação socioambiental
Quanto à remoção de rejeitos do Anfiteatro da barragem B-I, também houve atraso significativo. A entrega do projeto, inicialmente prevista para dezembro de 2024, ficou para 31 de dezembro de 2025, com início das atividades de remoção previsto para abril de 2026 e conclusão prevista para outubro de 2029. A conclusão da reparação ambiental, assim, está prevista para janeiro de 2031.
Em relação à Mina Córrego do Feijão, o Anfiteatro da barragem B-I segue com a nova campanha proposta pela Vale em andamento, para complementação do estudo, com projeto previsto para 31 de dezembro de 2025. Executou-se a preparação da estrutura para enfrentar o período chuvoso, que sempre permanece com ponto de atenção, devido à situação limítrofe de instabilidade. A barragem B-VI teve os estudos de alternativas para descaracterização concluídos, com monitoramento de vazões e início de campanha complementar. Não há pontos de atenção relacionados ao período chuvoso para a barragem B-VI, que segue com fator de segurança considerado satisfatório (1.55). Para a barragem B-VII, houve conclusão das adequações do projeto de descaracterização, houve ações de desassoreamento e está pendente o monitoramento da descarga sólida. A B-VII está com fator de segurança 1.70 e não há pontos de atenção relativos ao período chuvoso. A barragem Menezes I teve o Projeto Básico de descaracterização concluído, assim como a campanha de investigações para o Projeto Detalhado. Os estudos ambientais para licenciamento encontram-se em andamento, tendo sido realizadas ações de desassoreamento. Quanto ao período chuvoso, a barragem não tem pontos de atenção (fator de segurança 1.53). A barragem Menezes II teve o estudo de alternativas de descaracterização concluído. A estrutura apresentava anomalias no concreto do sistema extravasor, que foram reparadas, e não há pontos de atenção para o período chuvoso (fator de segurança 1.88). A PDE Menezes III teve conclusão das obras para os canais definitivos, e o projeto de fechamento está em elaboração. A estrutura não tem pontos de atenção para o período chuvoso.
Na Mina de Jangada, concluiu-se o estudo conceitual para adequação operacional da barragem Lagoa Azul, que apresenta fator de segurança considerado satisfatório (1,80), e seguem em andamento os estudos ambientais até 2026. Na barragem Capim Branco, em 2025 foram registrados os níveis mais baixos da água do reservatório, e estudos estão investigando a perda de água. O fator de segurança também foi considerado satisfatório (1,98). O Dique de Concreto foi a primeira estrutura a ser descaracterizada pela Vale, com as obras concluídas em novembro de 2025. Não há pontos de atenção para as estruturas da Mina de Jangada em relação ao período chuvoso, e a auditoria verificará se as estruturas se comportam como esperado.
Na Cava de Feijão, realizam-se as obras de contenção e retaludamento e os rejeitos forma removidos da Zona Quente. Na Parede Oeste, foram realizadas obras para contenção da grande erosão que estava se formando, além de outras menores. Realizaram-se drenagens superficiais e de descidas de água para melhoria da estabilidade. Na Parede Norte, realizaram-se obras de contenção das paredes. Na Parede Sul, realizou-se retaludamento e serão executadas obras de drenagem superficial que estavam previstas para 2025 (o projeto detalhado para essas obras tinha previsão de conclusão em dezembro de 2025). Por fim, na Parede Leste, realizou-se retaludamento superficial, tendo sido readequado o projeto inicialmente previsto devido ao rompimento de parte do talude ocorrido em janeiro de 2025.
Em relação às estruturas de contenção ao longo do ribeirão Ferro-Carvão construídas para contenção de rejeitos, informou-se que houve a formação de alguns lagos devido às ações de manejo no Parque da Cachoeira e na região da Barreira Hidráulica 0 (BH-0). Esses lagos ajudam a conter os sedimentos, evitando que cheguem ao Paraopeba. A BH-0 foi descaracterizada em 2025, com as ações de manejo concluídas.
Informou-se também que o local tem sido preparado para o período chuvoso, que continua sendo um ponto de preocupação. A auditoria avalia que as condições atuais são positivas em relação à segurança operacional e à estabilidade, pois todas as estruturas passaram por obras de reforço e foram avaliadas como satisfatórias. A única exceção é a região da Barragem B-I (Anfiteatro), por causa do vazamento do rejeito das encostas que permaneceram com material não estabilizado. Ainda estão sendo realizados estudos e projetos para a retirada desse material e estabilização da área. Até o final de dezembro de 2025, a Vale deveria apresentar o projeto detalhado. Com as obras, a previsão é que o risco vá diminuindo. Reforçam também que tem um monitoramento ativo e protocolos para manter a segurança da região. O outro ponto de atenção são as obras de estabilização e drenagem da Cava de Feijão, que devem continuar pelos próximos anos.
O planejamento é que, das estruturas de contenção, a partir do final de 2026, permaneçam apenas as estruturas BH-2 e CEP-1. As demais, ao longo do vale do Ribeirão Ferro-Carvão, devem ser descomissionadas até o final de 2026.
Ressaltamos, novamente, que nessa reunião, assim como nas anteriores, não foi apresentado o plano de descaracterização dessas estruturas, as informações sobre qual será a destinação dos materiais, as rotas que serão utilizadas, tampouco se os veículos passarão ou não por dentro das comunidades que estão nas proximidades, como Parque da Cachoeira/Parque do Lago, Córrego do Feijão, Alberto Flores e Tejuco.
Reparação Socioambiental da Bacia do Ribeirão Ferro-Carvão
Finalizaram-se as obras de manejo de rejeitos, que incluíam a operação de busca das vítimas com apoio do Corpo de Bombeiros. Informou-se que até dezembro de 2025 teria sido removido todo o volume de rejeitos da Zona Quente.
Quanto ao manejo de rejeitos, explicou-se que o volume removido passa por processo de segregação, e depois destinação à cava, e que a disposição é realizada em depósitos temporários. Ainda que o volume total venha a ser removido completamente da Zona Quente até o final de 2025, continua esse processo de segregação e disposição de materiais na cava pelos próximos anos. A etapa de disposição dos rejeitos na cava tem apresentado desempenho menor que o previsto, o que gera atrasos. A etapa de segregação também tem tido desempenho menor do que a taxa de remoção (apenas 67% do material gerado em 2025 foi segregado). A auditoria recomendou análise e melhoria da eficiência desse processo.
Um dos pontos ainda não resolvidos pela Vale se refere à necessidade de aumentar a produtividade nesse processo de segregação e disposição de rejeitos, pois o projeto está atrasado e há grande dependência de água, cuja disponibilidade tende a diminuir devido aos outros projetos. Isso representa risco de atraso significativo ao cronograma.
Foi validado o cronograma detalhado para todas as obras que definem o escopo da reparação ambiental da sub-bacia do ribeirão Ferro-Carvão. Em março de 2025, o Projeto Conceitual da Recuperação Socioambiental da Bacia do Ribeirão Ferro-Carvão e Parte da Bacia do Ribeirão Casa Branca já havia sido validado pelos compromitentes.
As etapas previstas para a recuperação socioambiental da bacia do ribeirão Ferro-Carvão são as seguintes: 1. Remoção de rejeitos, para expor o solo mais profundo; 2. Reconformação, para suavizar e nivelar o terreno; 3. Refazer o rio, com a criação de uma nova calha mais estável; 4. Plantio, para recuperação da biodiversidade e da estrutura da floresta, com etapas de recuperação ativa (espécies que ajudam o sombreamento do solo e plantio de enriquecimento entre o 3º e o 5º ano) e recuperação assistida (período de monitoramento e correção contínua de problemas, entre o 10º e o 15º ano, com a meta futura de alcançar um ecossistema funcional, similar ao estado anterior ao desastre).
As obras da recuperação socioambiental iniciaram em 2024 e duas delas já foram concluídas, com plantio de mudas realizado e etapa de monitoramento iniciada. A previsão de finalização é 2031, com as obras distribuídas ao longo do tempo. A etapa da remoção de rejeitos tinha previsão de conclusão ainda em 2025, e a segunda etapa são as obras específicas dos projetos executivos de cada área, com nivelação do relevo. Em 2025, foram realizadas atividades de restauração em duas áreas da bacia do Ferro-Carvão: Remanso 1A (concluídas as atividades de plantio) e Remanso 2 (ainda em processo de restauração). As obras do DTR 13 e Remanso 3 estão atrasadas. Definiu-se que a Vale deve realizar correção de processos erosivos e revegetação, para a proteção das áreas expostas de solo, evitando o carreamento de materiais para as águas.
A auditoria avaliou que uma parte significativa das áreas com previsão de conclusão em 2025 não foram ainda recuperadas. A meta é alcançar não só as áreas previstas para 2026, mas também as pendentes de 2025, totalizando 131 hectares de áreas reparadas até o final de 2026.
Plano de Manejo de Rejeito – Disposição na Cava da Mina do Córrego do Feijão, da Vale S.A.
Em relação ao monitoramento das águas subterrâneas, destinado a avaliar o potencial risco de contaminação pela disposição de rejeitos na cava, a auditoria continua a não apresentar os dados referentes aos 10 poços de monitoramento nem às coletas de água superficial dentro da cava para o período analisado.
Além disso, nas reuniões conduzidas pela Aecom, a ausência de apresentação dos resultados desse monitoramento tem sido recorrente. Na última reunião, novamente, não houve encaminhamentos, nem citação de elaboração das notas técnicas e materiais informativos qualificados, que deveriam explicar os potenciais riscos ou a inexistência de contaminação das águas subterrâneas em função do lançamento de rejeitos na cava. Essa solicitação foi feita pelo Promotor Dr. Lucas Trindade, na reunião do dia 28 de julho de 2023, há mais de dois anos, motivada pela participação popular em audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), e segue sem respostas.
Essas informações são de extrema importância para as famílias atingidas, que dependem das águas de poços e nascentes da região, e a falta de transparência agrava as preocupações e vulnerabilidade das comunidades.
Segundo a auditoria, até setembro/2025 foi disposto na cava um montante 6,388 Mm³ de rejeito, com previsão de término para 2030.
A Vale S.A. afirma que o rompimento da barragem B-I provocou o vazamento de cerca de 9,68 milhões de metros cúbicos de rejeitos, dos quais 1,59 milhão de m³ atingiram diretamente o rio Paraopeba. Apesar da dimensão do desastre, o plano de manejo de rejeitos apresentado pela empresa prevê a disposição em cava de 16,02 milhões de m³ de rejeito under size — uma fração peneirada do material, que não corresponde à totalidade dos rejeitos liberados no rompimento.
A discrepância entre os volumes chama atenção. Com base nos próprios números apresentados, há um excedente superior a 5 milhões de m³ de material a ser depositado, o que representa um aumento de aproximadamente 74% em relação ao total de rejeitos que teriam vazado da barragem B-I. A origem desse volume adicional não é explicitada nas reuniões e documentos divulgados.
Ainda assim, a Vale obteve autorização para ampliar, significativamente, o volume licenciado para disposição desses rejeitos. Antes limitada a 7 milhões de m³, a outorga foi elevada para mais de 16 milhões de m³, por meio do Processo de Licenciamento Ambiental SLA nº 1510/2024, com licença emitida pela FEAM em 5 de junho de 2025. A ampliação reforça os questionamentos sobre a coerência entre os volumes oficialmente reconhecidos como vazados e aqueles efetivamente autorizados para manejo e disposição.
Abaixo segue um pequeno balanço das ineficiências na execução do plano.

Dragagem do Rio Paraopeba
Informou-se que a finalização da dragagem do Trecho 1 (primeiros 3 km) está próxima. No entanto, com previsão inicial para finalização em março de 2022, o atraso para a finalização desse trecho já se aproxima de 4 anos.
A dragagem do Trecho 2 (entre 3km e a Ponte de Brumadinho, a 6km) está em processo de licenciamento, com previsão de início em maio de 2026. O Trecho 3, mais extenso (entre a Ponte de Brumadinho até o quilômetro 38), foi dividido em 3 frentes, com as seguintes datas de previsão de início das obras: Frente 1 (km 6 ao km 8) em junho de 2027, Frente 2 (km 20 ao km 28) em julho de 2027 e Frente 3 (km 29 ao km 28) em outubro de 2027. O Trecho 4 (km 39 até o Barramento da UTE Igarapé, no km 46), por sua vez, deverá iniciar em novembro de 2026. Ressalta-se que os trechos previstos são aqueles que já tiveram estudos concluídos indicando a necessidade de dragagem, no entanto isso não significa que apenas esses trechos precisarão ser dragados, pois depois ainda pode haver estudos que indiquem a necessidade de dragagem de outros trechos.
A dragagem é considerada como a principal atividade de recuperação do rio. No entanto, está significativamente atrasada. Tem-se discutido a necessidade de outras ações reparatórias para as calhas e reservatórios, para além da dragagem. Informou-se que em abril deste ano ocorreu um workshop, e que nessa ocasião recomendou-se a elaboração de um “projeto conceitual e acompanhamento” dessas questões. A partir disso, elaborou-se a última versão do cronograma em 9 de dezembro deste ano, indicando a realização de reuniões entre a Vale, os órgãos ambientais e a auditoria. Essas reuniões já vinham ocorrendo desde outubro, e se propõem a investigar a necessidade ou não de mais obras de dragagem. Também devem contemplar um programa para áreas inundadas, que consideram os eventos ocorridos nos períodos de 2029-2020, 2021-2022 e 2024-2025, bem como o gerenciamento de eventos futuros anuais até a data de conclusão do programa.
A previsão de conclusão das obras de dragagem é entre 2028 e 2029, o que representa um atraso considerável, já que inicialmente se previsa conclusão da recuperação total dos 46km do rio até dezembro de 2027. Informou-se ainda que algumas ações poderão começar a ser consideradas a partir de fevereiro de 2027, em relação à recuperação de margens e da vegetação ciliar entre os Trechos 1 e 2, desde a confluência do ribeirão Ferro-Carvão até 6km de extensão do rio Paraopeba.
Na tabela abaixo consta o cronograma atualizado após a reunião de 18 de dezembro, com a previsão de início e finalização da dragagem em cada trecho:
| Trechos | Início dragagem | Término dragagem | |
| 01 (0-03 km) | Iniciado | Jun/2026 | |
| 02 (03-06 km) | Maio/2026 (previsão – ainda em licenciamento) | Jun/2027 | |
| 03 (06-39 km) | Frente 1 (km 6 ao km 8) | Junho/2027 | Dez/2027 |
| Frente 2 (km 20 ao km 28) | Julho/2027 | ||
| Frente 3 (km 29 ao km 28) | Outubro/2027 | ||
| 04 (39-46 km) | Novembro/2026 | – | |
| 05 (46-307 km) | Sem previsão de dragagem | – | |
A projeção é que, até o início de dezembro de 2025, tenha-se dragado o volume total de 274.442m3. Indicou-se ainda a possibilidade de início de nova frente de dragagem na área da UTE Igarapé em 2026.
Destaca-se que o cronograma para a recuperação do rio apresenta atraso significativo, e suas metas têm sido adiadas sucessivamente sem justificativas transparentes, revelando um cenário de descaso com os compromissos assumidos e com as comunidades atingidas.
Outro dado, é que para o período, o volume dragado foi inferior ao previsto, indicando uma queda na eficiência das operações e reforçando a percepção de negligência na condução do plano de dragagem. Segundo a AECOM essa baixa eficiência se dá, principalmente, por manutenções corretivas nos equipamentos de dragagem, impactando nas horas de trabalho das máquinas.
Qualidade do Ar
Mais uma vez, o programa de Monitoramento da Qualidade do Ar não foi apresentado, deixando uma lacuna importante nas discussões, porém é importante destacar que segundo informações obtidas na primeira versão preliminar do Plano de Recuperação Socioambiental (Plano Arcadis), observa-se que o monitoramento da qualidade do ar previsto para ser realizado pela Vale S.A. é insuficiente e limitado a apenas seis estações para partículas em suspensão (PTS, MP10, MP2.5) em Brumadinho. Não são monitorados os metais presentes no ar em decorrência da reparação e do manejo de rejeito, nem para Brumadinho, nem para a bacia, e que podem estar associados ao aumento das doenças respiratórias e dermatológicas após o rompimento, que podem ser consultadas nas unidades de saúde. A consulta aos dados da consultoria socioambiental revelou que os valores de metais no ar excedem os Valores de Referência (VR) utilizados no estudo, como manganês (2145x), cádmio (349x), arsênio (243x) e mercúrio (106x), aumentando os riscos à saúde da população atingida.
Estudo Hidrogeológico
A Vale apresentou destaques sobre os estudos hidrogeológicos. O primeiro, o Estudo Hidrogeológico Principal, trata dos aquíferos rasos e profundos, e poços distribuídos ao longo da bacia. A primeira versão foi de outubro de 2023, e houve uma última revisão em setembro de 2025, em que as recomendações da Aecom foram atendidas. Essa revisão foi aprovada em novembro de 2025 pelos órgãos ambientais, que consideraram os resultados aptos à utilização no Programa de Investigação e Monitoramento de Águas Subterrâneas.
O segundo estudo é o Estudo Hidrogeológico Complementar, relacionado aos aquíferos rasos nas áreas alagadas. Sua primeira versão foi de dezembro de 2024, tendo sua última revisão, de novembro de 2025, sido publicada em dezembro de 2025. Este estudo está em análise pelo Igam, que já havia indicado pendências relacionadas a determinações não atendidas. A Aecom também indicou recomendações ainda não atendidas.
PROGRAMA DE TRANSFERENCIA DO MONITORAMENTO DA VALE PARA O IGAM
Desde 2021, a Vale tem implementado um sistema de gestão de dados desenvolvido com a participação do Igam, para a sua futura transferência ao órgão. A previsão é de que o desenvolvimento do sistema seja concluído em dezembro de 2025, e o Igam está em processo de teste das funcionalidades para homologação da transferência. Prevê-se para janeiro de 2026 a conclusão do desenvolvimento e início da operação do sistema pelo Igam, com assistência e acompanhamento pela Vale.
Destaca-se que houve atraso significativo na realização dessa transferência, e que se prevê um acompanhamento pela auditoria e pela Vale maior que o inicialmente determinado. Atualmente, projeta-se que a auditoria deve realizar esse acompanhamento até a conclusão da reparação ambiental, dada a centralidade desse monitoramento para indicar se as condições ambientais anteriores ao rompimento foram alcançadas ou melhoradas.
TAC Monitoramento Água e Sedimentos
O TAC foi firmado em 2019, e apresenta um desempenho de 98%, que indica que a maioria dos requisitos têm sido verificados pela auditoria como de acordo com as normas. Em novembro, houve destaque de 4 pontos de atenção. A auditoria faz a análise de contraprova: para cada coleta do laboratório contratado pela Vale, um dos frascos vais para o laboratório da Aecom, e os resultados são comparados. Detectaram uma não convergência nos últimos meses entre os dados apresentados pela Vale e os dados do laboratório da Aecom, no entanto, afirmam que esta variação está dentro do esperado. Informou-se que, para a água potável dos carros-pipa, o resultado foi de 100% de aderência, e reforçam que a origem dessa água é de estações da Copasa.
A auditoria informou que, no resultado semestral, houve 79% de convergência dos resultados para o Programa de Monitoramento de Águas e Sedimentos (PME) e 84% para o Programa de Investigação e Monitoramento de Águas Subterrâneas (PMAS). A auditoria afirma que consideram legítimos os dados informados pela Vale no monitoramento de águas superficiais, subterrâneas e da água potável.
ANEXO II.2 – COMPENSAÇÃO AMBIENTAL DOS DANOS JÁ CONHECIDOS
Estes são projetos que a Vale S.A. tem obrigação de fazer e estão dentro do teto estabelecido pelo Acordo. Ao todo são 12 (doze) projetos, sendo que atualmente são executados apenas três e um quarto está em processo de aprovação.
Na reunião da Aecom, comentou-se sobre o projeto de Manejo Populacional Ético de Cães e Gatos, que executa atividades castração, microchipagem e adoção de cães e gatos, além de realizar ações de educação ambiental, capacitação profissional e doação de kits para eventos. A previsão de conclusão deste projeto é dezembro de 2026. Informou-se ainda que, ao longo de 2025, todos os municípios às margens do Paraopeba receberam pelo menos uma campanha do projeto, mas 3 dos municípios considerados limítrofes ainda não receberam. A meta informada é de 34587 animais a serem atendidos até a conclusão do projeto.
Sobre o projeto de Regularização Fundiária do Parque do Rola Moça, que tem o objetivo de ampliar e consolidar o Parque Estadual da Serra do Rola Moça, formalizando às áreas dos interiores da Unidade de Conservação (UC) e contribuindo com a gestão da unidade e dos serviços prestados à população, informou-se que a previsão era de avanço de 29% na etapa 1, no entanto houve atraso na sua realização, tendo-se alcançado apenas o percentual de 19%. Havia algumas pendências com relação à emissão de documentos necessários (declarações de utilidade pública), o que ocorreu apenas em dezembro de 2025. Como já informado, as etapas do projeto são as seguintes:
- Etapa 1 – Análise e Negociação das áreas internas ao parque, bem como emissão do Decreto de Utilidade Pública (DUP);
- Etapa 2 – Formalização e Aquisição das áreas estratégicas dentro da unidade;
- Etapa 3 – Regularização e Transferência de Titularidade para a unidade de conservação.
Sobre o projeto Listas Vermelhas, que busca a elaboração de lista de espécies ameaçadas da fauna e da flora, terrestre a aquática, de Minas Gerais, para publicação em livro, informou-se que a etapa de chamamento público foi concluída em agosto de 2025, e o tema foi aprovado pelos Compromitentes. Previa-se para dezembro de 2025 a contratação da empresa que executará o projeto, com início previsto para 2026 e conclusão em 2028.
Abaixo, segue a sistematização dos tópicos que estão em atraso ou sofreram mudanças nas previsões de conclusão das Ações/Projetos, comparados com as primeiras versões do Plano de Recuperação Socioambiental da Vale S.A.
| Ação / Projeto | Previsão Inicial | Situação Atual / Previsão Final |
| Dragagem do Rio Paraopeba | Conclusão dos primeiros 2 km até março de 2022 | Conclusão dos primeiros 2 km prevista para junho de 2026; conclusão total dos 46 km até 2028-2029 |
| Descomissionamento de Barragens | Conclusão até 2023 | Conclusão até 2032 |
| Disposição de Rejeitos na Cava da Mina do Córrego do Feijão | Monitoramento completo das águas subterrâneas junto com as operações de disposição de rejeito em 2019 | Conclusão da disposição de rejeitos prevista para 2030; monitoramento das águas subterrâneas como condicionante, iniciado em junho/julho de 2023 |
| Monitoramento da Qualidade do Ar | Implementação de estações de monitoramento | Monitoramento limitado a 6 estações apenas em Brumadinho, medindo apenas PTS, MP10 e MP2,5; ausência de controle de metais pesados em suspensão |
| Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico (ERSHRE) | Conclusão e divulgação dos estudos até 2025 | Fase 1: relatórios devem ser finalizados até agosto de 2026 (Brumadinho) / maio de 2027 (restante da bacia). Devolutivas até dezembro de 2026 (Brumadinho) / setembro de 2027 (restante da bacia). Fase 2: conclusão até julho de 2028. Fase 3: conclusão até julho de 2028 (Brumadinho) / abril de 2029 (restante da bacia). |
| Plano de Recuperação Socioambiental | Versões preliminares iniciadas em 2021 | Previsão de conclusão das obras até 2031 |
| Aglutinação de Subprojetos – UFMG | Previsão de conclusão de todos os subprojetos sobre meio ambiente até 2022 | Sem previsão de finalização; subprojetos extintos ou aglutinados ao ERSHRE, que segue sem previsão de conclusão |
| Anexo II.2 – Listas Vermelhas | — | Previsão de conclusão em 2028. |
| Anexo II.2 – Regularização Fundiária do Parque Estadual da Serra do Rola Moça | — | Previsão de conclusão até 2028 |
| Reparação Socioambiental da Bacia do Ribeirão Ferro-Carvão | — | Previsão de conclusão até 2031 |
BALANÇO DO ACOMPANHAMENTO DA REPARAÇÃO SOCIOAMBIENTAL
Considerando a desmobilização das atividades da Aedas como Assessoria Técnica Independente nas Regiões 1, e 2, consideramos importante trazer alguns pontos de atenção sobre a reparação socioambiental como um todo.
Primeiramente, destaca-se a importância dos estudos do CTC da UFMG, que apresentaram dados, principalmente sobre contaminação do ar e dos peixes, que apresentam alterações relevantes e que contradizem informações apresentadas pela Vale. Esses dados do CTC convergem com resultados de estudos realizados por consultorias contratadas pela Aedas e as pessoas atingidas, que também apontaram resultados que merecem atenção sobre a contaminação. É de absoluta importância que o CTC possa dar continuidade aos estudos, que, se tiverem sua realização autorizada pelo juízo, estarão aptos a apontar a correlação da contaminação já identificada com os rejeitos carreados pelo desastre. Atualmente, as pesquisas só detectam a ocorrência de bioacumulação nos peixes, porém, com o equipamento correto, essas pesquisas podem identificar a origem da contaminação. Ou seja, podem gerar importantes provas da relação entre o rejeito e a contaminação dos peixes.
Além disso, o acompanhamento no território demonstrou que uma das mais importantes formas da contaminação vivenciada pela população atingida é o ar. As consultorias contratadas pela Aedas e o CTC buscaram monitorar a presença de contaminantes no ar. Nos estudos do CTC, analisou-se a presença de ferro, manganês, cobre e chumbo, e foram detectadas alterações. No entanto, a Vale não monitora essa forma de contaminação. Em parte, isso decorre do fato de que não há normas brasileiras que estabeleçam índices máximos que quantifiquem os metais no ar (principalmente ferro, manganês e arsênio). A Vale se aproveita disso para não realizar o monitoramento necessário, apenas identificando em poucos pontos o particulado total (quantidade de poeira no ar). No entanto, além de ser necessário identificar a presença de metais, o aumento de particulado no ar por si só já é um fator que pode ter origem nas ações da empresa, devido a ações de reparação como dragagem, secagem e transporte de rejeitos.
SOBRE O PORTAL DA AUDITORIA SOCIOAMBIENTAL
O Portal de Auditoria Socioambiental reúne informações sobre as ações de reparação e compensação previstas no Acordo Judicial de Reparação Integral e que são “obrigações de fazer”, ou seja, devem ser executadas pela Vale.
No portal, você encontra documentos produzidos pela auditoria, como Relatórios Mensais, Notas Técnicas e pareceres independentes, além de materiais relacionados. Também estão disponíveis, a pedido do Comitê Pró-Brumadinho, os capítulos já validados do Plano de Recuperação Integral Socioambiental da bacia do rio Paraopeba e os documentos aprovados sobre o Estudo de Risco à Saúde Humana e Risco Ecológico.
Entre pelo link: Portal Auditoria Socioambiental AJRI
Para acessar os arquivos, vá até a seção “Documentos da Auditoria” na página inicial. Informe seu CPF e data de nascimento, aceite os Termos de Uso e clique em “Acessar”.
ATENÇÃO: seus dados ficarão registrados nos arquivos que você fizer o download, portanto tenham cuidado ao compartilhar! Caso queiram compartilhar as informações, envie o site oficial e as orientações de acesso.

Para continuar acompanhando estes temas você também pode acessar os informes anteriores:
Fevereiro/2023: https://aedasmg.org/informes-AECOM-0223/
Março/2023: https://aedasmg.org/informes-AECOM-0323/
Abril/2023: https://aedasmg.org/informes-AECOM-0423/
Maio/2023: https://aedasmg.org/informes-AECOM-0523/
Junho/2023: https://aedasmg.org/informes-AECOM-0623/
Julho/2023: https://aedasmg.org/informes-AECOM-0723/
Agosto/2023: https://aedasmg.org/informes-AECOM-0823/
Setembro/2023: https://aedasmg.org/informes-aecom-0923/
Outubro/2023: https://aedasmg.org/informes-aecom-1023/
Novembro/2023: Não houve
Dezembro/2023: https://aedasmg.org/informes-aecom-1223/
Janeiro/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-0124/
Fevereiro/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-0224/
Março/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-0324/
Abril/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-0424/
Maio/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-0524/
Junho/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-0624/
Julho/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-0724/
Agosto/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-0824/
Setembro/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-0924/
Outubro/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-1024/
Novembro/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-1124/
Dezembro/2024: https://aedasmg.org/informes-aecom-1224/
Janeiro/2025: https://aedasmg.org/informes-aecom-0125/
Fevereiro/2025: https://aedasmg.org/informes-aecom-0225/
Março/2025: https://aedasmg.org/informes-aecom-0325/
Abril/2025: https://aedasmg.org/informes-aecom-0425/
Maio/2025: https://aedasmg.org/informes-aecom-0525/
Junho/2025: https://aedasmg.org/informes-aecom-0625/
Julho/2025: https://aedasmg.org/informes-aecom-0725/
Agosto/2025: https://aedasmg.org/informes-aecom-0825/
Setembro/2025: https://aedasmg.org/informes-aecom-1025/
Outubro/2025: https://aedasmg.org/documento/informes-aecom-1025/