Barragem
Em Itatiaiuçu, de acordo com a Agência Nacional de Mineração (ANM), existem 5 barragens de contenção de rejeitos, que estão enquadradas dentro da Política Nacional de Seguranças de Barragens (PNSB). Uma dessas barragens é a Mina de Serra Azul, pertencente à ArcelorMittal, e que se encontra em Nível 3 de Emergência (NE3). Este é o maior nível de emergência dessas estruturas e acontece em dois cenários, que podem estar conjugados: quando a ruptura é inevitável ou está ocorrendo; ou quando o Fator de Segurança estiver abaixo do previsto pela Resolução da ANM nº 95/2022.
A construção da barragem da Mina de Serra Azul foi iniciada na década de 80 e ela foi alteada pelo método à montante, que é uma metodologia para o empilhamento de rejeitos de mineração. A barragem possui uma altura de 85 metros e possui o volume de 5,028 milhões de m³. Desde 2012, a Barragem Serra Azul não recebe mais rejeitos.
Após os rompimentos da Barragem do Fundão, em Mariana, e da Barragem I da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 2019, a ANM fez a Resolução nº 13/2019. A Resolução exige que todas as barragens construídas pelo método à montante sejam descaracterizadas, o que inclui a Barragem da Mina de Serra Azul.
Devido ao alto risco de rompimento da barragem, para que seja realizada a descaracterização é necessária a construção de uma Estrutura de Contenção à Jusante (ECJ). Esta é uma estrutura auxiliar de segurança, uma espécie de “muro”, e que tem o intuito de conter os rejeitos em caso de um eventual rompimento da barragem. Em Itatiaiuçu, a construção da ECJ foi iniciada em meados de 2022.
As obras das ECJ finalizaram em agosto de 2025. Com a finalização, a ArcelorMittal conseguiu a licença ambiental para iniciar às atividades de descaracterização da barragem. A descaracterização pode ser entendida como o processo em que a estrutura deixa de exercer a função e possuir características de barragem.
Na barragem da Mina de Serra Azul, esse processo se dará através da retirada de todos os materiais que compõem a barragem, ou seja, o dique de partida em solo, os diques de alteamento e o rejeito ali disposto. A mineradora informou que esse processo deve ser concluído no ano de 2032. Só depois da descaracterização é que as famílias vão poder voltar para as casas que estão dentro da Zona de Autossalvamento (ZAS), que é o trecho onde a lama passaria em caso de rompimento.
